sexta-feira, 9 de maio de 2008

Carta ao desapego

Desprezível Desapego,

Desgrudas de mim, não me pegues mais, despegue, despregue, desgrude, se saia, chame o apego e questione-o porque nunca vem até aqui. Tem medo de mim?! Diga-lhe que não me tema, não sou alguém de má constância, de má fé, nem nada de que se diga realmente maligna. Sou só um quase alegre ser, bem arquétipo querendo-lhe, querendo o apego, e não mais à tí desapego.
Se saia, Xô, te enxoto com prazer, mas és chato, impertinente e se instala com facilidade nas brenhas do meu inconsciente, e por causa desse teu apego sobre mim, me desapego. Me relaxo de todos os apegos, sou remediada contra o amor, e vetada para sentimentos maiores, além da insensibilidade.
Entre todos os meus sentimentos tristes que tanto ressalto, talvez tu, desapego, ganhes como coadjuvante. És escondido que por vezes me baqueia, és um anti-herói que me eleva e meu adjetivo mais irônico, pois é a ti que mais tenho apego, e quero abrir mão para que não se alastre satisfação ao egoísmo, e para que me faça liberta da tamanha liberdade que me torna alguém independente, meu sinônimo de só.
Saia Desapego, pelo menos tu, ouça-me! Não seja feito o carma, que sempre me volta angustiante, nem seja feito a angústia pois sempre a quero por perto. Sinta meu ainda não desespero, esse singelo pedido cruel te expulsando sutilmente, querendo tornar-te o único desapego de minha vida.

Com tentado desprezo,

sua hospedeira.



Nenhum comentário: