terça-feira, 24 de junho de 2008

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Ela se dispersa de si mesma, quando, sem saber pra onde ir, vai pra qualquer lugar que alguém vá. E ela anda, ela viaja, ela corre. Pra lá e depois pra cá. Em sentido horário e anti-horário. Em sentido contrário, até. De carona, a pé, de motocicleta. Sempre acompanhada. Ela vai, vai, vai. Volta. E lá vai ela de novo. E quando se dá conta, está novamente no ponto de partida. Ela sente uma estranha sensação quando isso acontece. A estranha sensação de nunca ter saído de si mesma. E ela se entristece. Mas ela se engana. Ela saiu, sim. Ela viu, ela andou. Ela sabe muita coisa das suas andanças. Ela só não sabe pra onde ir agora...
(Eloyin)




...Ela só precisa dar ouvidos à voz selvagem que vive dentro de todas nós, a que sussura, "fique aqui o bastante... fique o tempo necessário para reanimar sua esperança, para abandonar seu sangue-frio terminal, para renunciar a meias-verdades defensivas, para se insinuar, para abrir caminho com precisão ou com violência; fique aqui o suficiente para ver o que é bom para você, para se fortalecer, para fazer aquela tentativa que terá sucesso; fique aqui o suficiente para completar a corrida, não importa quanto tempo demore ou de que forma isso ocorra".
(Mulheres de correm com lobos - Clarissa Pinkola Estés)



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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Anacrônico

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Composição: Pitty / Graco

É claro que somos as mesmas pessoas
Mas pare e perceba como o seu dia-a-dia mudou
Mudaram os horários, hábitos, lugares
Inclusive as pessoas ao redor

São outros rostos, outras vozes
Interagindo e modificando você
E aí surgem novos valores,
Vindos de outras vontades,

Alguns caindo por terra,
Pra outros poderem crescer
Caem 1, 2, 3, caem 4,
A terra girando não se pode parar

Outras situações
Em outras circunstâncias,
Entre uma e outra as vezes
Se vêem os mesmos defeitos,
Todas aquelas marcas
Do jeito de cada um

Alguns ainda caem por terra,
Pra outros poderem crescer
Caem 1, 2, 3, caem 4,
A terra girando não se pode parar

Outro ciclo em diferentes fases
Vivendo de outra forma,
Com outros interesses,
Outras ambições mais fortes,
Somadas com as anteriores
Mudança de prioridades,
Mudança de direção

Alguns ainda caem por terra,
Pra outros poderem crescer
Caem 1, 2, 3, caem 4,
A terra girando não se pode parar.

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

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Tantas coisas boas passam pela minha vida
E eu simplesmente as deixo passar
ou faço por onde para que passem mesmo
uma hora paro de brincar de gata borralheira
"tão pobrezinha, tão coitadinha, tão humilhadinha"
crio vergonha na cara,
abandono o príncipe
e abro um sex shop!


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Como entender o que foi
se, de repente, volta a ser
Como entender o que era para ser
se nunca foi realmente
Como entender o que será
Se não sei o que é.



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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Lua adversa

(Cecília Meireles)

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

domingo, 1 de junho de 2008

GRAMÁTICAS E DITOS NA NOITE

Eu pego
Tu pegas
Ele não pegou
Nós pegaremos
Vós pegarás
Eles me pegarão


E ele? Ele dançou!



A fila anda...
Para o lado oposto!

Os últimos serão os primeiros!
Quando os primeiros voltarem a ser os últimos!

Quem não tem cão, caça com...
Metralhadora!

Em terra de cego
Quem não enxerga é a rainha!

Nos pequenos frascos
As piores cantadas!




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Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector


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Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: Quero é uma verdade inventada.


Clarice Lispector


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