quinta-feira, 5 de julho de 2012


E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero 


Desenho toda calçada

Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És, parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz









Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem 
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei
Tudo bem, tudo bem...
Eu rabisco o sol, que a chuva apagou
Tudo bem, tudo bem...
Acho que estou gostando de alguém
Tudo bem, tudo bem...


Giz (Legião)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Na corda Bamba

Queria estar mais perto do teu ouvido. Quando li o capítulo daquele livro, quis te enviar uma mensagem. Tinha certeza que você ia gostar. Depois, mais tarde, tentei te olhar pelo buraco da fechadura. Você não deixou. Lembrei da poesia do Pessoa pra te mostrar, mas queria te perguntar se você conhece Fabrício Carpinejar. Percebi as horas passando e a noite chegando. O alívio por não ter feito nada. A ansiedade por ainda fazer. Perguntei a mim mesma os motivos e não sei se acreditei nas minhas respostas. Cheguei a duvidar e a me questionar se era simplesmente pelo sonho, ou da esperança de me sentir tomada pelo amor. A vontade irresistível de ser tocada pela surpresa. Permanecer no vácuo, tal como andar na corda bamba... E então a vontade de seguir nela até o fim, com o coração saltando pela boca, ainda que seja como resposta às perguntas que faço ou como invenção da minha alma.



(Ana Pozza - anapozzapoesias.blogspot.com.br)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

E quando falta a inspiração, ainda existem as lembranças.


domingo, 3 de abril de 2011

"Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar."(...)

- C.F.A -

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Soluço


Tipo soluço? É, tipo soluço. Começou do nada e do nada parou. Desconheço causa, só consequência. Amargo agora uma secura: a garganta, descosturada, me recrimina - e não sei o que fiz; foi algo que bebi que a ressaca não curou. Enquanto durou, não foi bom nem ruim; foi interessante. Não tive tempo para julgar, definir isso que me ocorria com estranheza; de modo que não sei se ter acabado foi minha salvação ou se me atira às trevas. Há, ainda, a esperança de que recomece quando eu estiver distraída. O problema é que agora eu só penso nisso.


- Priscila Lopes -

sexta-feira, 25 de março de 2011


 "Pedi uma definição ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano real: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto e aberto. Perguntei a ele como se sentia. 
Que me dissesse. 
Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. 

- Caio Fernando Abreu -

domingo, 20 de março de 2011

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que se permitia conquistar
E não se intimidava com mulheres de atitude
E ligava no dia seguinte
E te fazia café ao acordar

Ele era do tipo que tirava no violão aquela música que um dia você disse que te trazia boas lembranças
E ele era engraçado
E inteligente
Defendia seus ideais e acreditava em ideais maiores

Ele era do tipo que falava de filhos
E cantava a música que escreveu pensando nisso
E era o tipo que você levaria sem receios para conhecer seus pais
E apresentaria a seus amigos 

Ele não era do tipo comum...

Ele era do tipo que se podia ficar por horas e horas conversando
E admirando sua eloquência
E ele era do tipo família
E tinha orgulho disso

Ele era do tipo que te pegava no trabalho e sentava com você em um gramado qualquer de um lugar qualquer
E te fazia crer que aquele momento e aquele lugar não poderiam ser mais perfeitos
E te levava para assistir o show daquela banda que ele adora
E te contava das dores de ter perdido uma pessoa que amava

E ele tinha aquele tipo de beleza saudável
E um sorriso aberto
E mãos fortes
E uma sedução que desbancava todas as resistências

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que ligava no seu trabalho e dizia que tinha ligado para ouvir sua "voz de veludo"
E te mandava mensagens
E te ligava para saber como foi seu dia
E combinava de te ver no final de semana

Ele era do tipo que falava besteirinhas pra te provocar
E te acordava de manhã com beijos bem intencionados na nuca
E olhava bem dentro dos teus olhos
E se entregava

Ele era do tipo que te fazia querer ser uma pessoa melhor
Te fazia querer respeitar leis de trânsito, 
E dar bom dia para as pessoas na rua
E ser otimista 

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que entendia e apreciava comidas e vinhos
E cozinhava
E te falava entusiasmado das viagens que ainda faria
E te perguntava quando seriam as suas férias

Ele era do tipo homem
Mas com a leveza de um garoto
E sabia o que falar
E a hora de deixar que o silêncio falasse por si só 

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que te dizia que queria fazer a diferença
E você acreditava nisso
E te fazia acreditar que talvez não fosse tanta tolice a teoria de que o mundo reflete os nossos desejos
Afinal, era por um tipo assim que você esperava

E sem que você tivesse tempo para se preparar
Ele já fazia diferença na sua vida

Ele era do tipo que não acredita em sorte
Acredita em atitudes, admirava as pessoas
E por admirá-las as mantinha perto
Como objetos.. bibêlos... troféus em uma estante
E ele gostava disso 

Ele lamentávelmente não era do tipo comum...

terça-feira, 15 de março de 2011


E não se tratam de flashs da memória,
Até porque não são lembranças...
São pensamentos presentes, insistentes, que me abordam, me cutucam, me chamam à luz de minha hipotética lucidez
E me transportam para aqueles momentos.
Fazem-me perder o tino, perder o assunto, perder o chão...
O tempo deixa de ser uma questão de tempo...
Qual é a temporalidade do ontem quando se revive o ontem como se fosse o hoje... o agora... o já?
E imediatamente, neste exato e único momento... não há tempo...


Não há mais tempo



quinta-feira, 3 de março de 2011



Contou seus segredos... De faz de conta
Cantou na chuva... De faz de conta

Fez de conta que tinha um cavalo alado ... 

E voou,
De faz de conta 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

E se pareço um pouco esquiva,
Quem sabe distante...
É porque estou agarrada em finos filetes de racionalismo,
Nutrindo uma medíocre e ilusória lucidez...

 Self-protection**