sexta-feira, 25 de março de 2011


 "Pedi uma definição ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano real: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto e aberto. Perguntei a ele como se sentia. 
Que me dissesse. 
Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. 

- Caio Fernando Abreu -

domingo, 20 de março de 2011

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que se permitia conquistar
E não se intimidava com mulheres de atitude
E ligava no dia seguinte
E te fazia café ao acordar

Ele era do tipo que tirava no violão aquela música que um dia você disse que te trazia boas lembranças
E ele era engraçado
E inteligente
Defendia seus ideais e acreditava em ideais maiores

Ele era do tipo que falava de filhos
E cantava a música que escreveu pensando nisso
E era o tipo que você levaria sem receios para conhecer seus pais
E apresentaria a seus amigos 

Ele não era do tipo comum...

Ele era do tipo que se podia ficar por horas e horas conversando
E admirando sua eloquência
E ele era do tipo família
E tinha orgulho disso

Ele era do tipo que te pegava no trabalho e sentava com você em um gramado qualquer de um lugar qualquer
E te fazia crer que aquele momento e aquele lugar não poderiam ser mais perfeitos
E te levava para assistir o show daquela banda que ele adora
E te contava das dores de ter perdido uma pessoa que amava

E ele tinha aquele tipo de beleza saudável
E um sorriso aberto
E mãos fortes
E uma sedução que desbancava todas as resistências

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que ligava no seu trabalho e dizia que tinha ligado para ouvir sua "voz de veludo"
E te mandava mensagens
E te ligava para saber como foi seu dia
E combinava de te ver no final de semana

Ele era do tipo que falava besteirinhas pra te provocar
E te acordava de manhã com beijos bem intencionados na nuca
E olhava bem dentro dos teus olhos
E se entregava

Ele era do tipo que te fazia querer ser uma pessoa melhor
Te fazia querer respeitar leis de trânsito, 
E dar bom dia para as pessoas na rua
E ser otimista 

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que entendia e apreciava comidas e vinhos
E cozinhava
E te falava entusiasmado das viagens que ainda faria
E te perguntava quando seriam as suas férias

Ele era do tipo homem
Mas com a leveza de um garoto
E sabia o que falar
E a hora de deixar que o silêncio falasse por si só 

Ele não era do tipo comum... 

Ele era do tipo que te dizia que queria fazer a diferença
E você acreditava nisso
E te fazia acreditar que talvez não fosse tanta tolice a teoria de que o mundo reflete os nossos desejos
Afinal, era por um tipo assim que você esperava

E sem que você tivesse tempo para se preparar
Ele já fazia diferença na sua vida

Ele era do tipo que não acredita em sorte
Acredita em atitudes, admirava as pessoas
E por admirá-las as mantinha perto
Como objetos.. bibêlos... troféus em uma estante
E ele gostava disso 

Ele lamentávelmente não era do tipo comum...

terça-feira, 15 de março de 2011


E não se tratam de flashs da memória,
Até porque não são lembranças...
São pensamentos presentes, insistentes, que me abordam, me cutucam, me chamam à luz de minha hipotética lucidez
E me transportam para aqueles momentos.
Fazem-me perder o tino, perder o assunto, perder o chão...
O tempo deixa de ser uma questão de tempo...
Qual é a temporalidade do ontem quando se revive o ontem como se fosse o hoje... o agora... o já?
E imediatamente, neste exato e único momento... não há tempo...


Não há mais tempo



quinta-feira, 3 de março de 2011



Contou seus segredos... De faz de conta
Cantou na chuva... De faz de conta

Fez de conta que tinha um cavalo alado ... 

E voou,
De faz de conta